Tuesday, November 27, 2007

Ao pensamento imaterial

Vocês já chegaram a imaginar que o que hoje lhe parece ser na verdade não é? Já pensaram que talvez não exista o existente e que tudo é nada? Dúvido que pelo menos uma vez na vida nunca se perguntaram isso. Coisas do tipo "Será que o vermelho que eu enxergo para mim é o mesmo vermelho que o das outras pessoas?" ou "Será que o gosto que sinto ao comer feijão é o mesmo que as outras pessoas sentem?". Intrigante não? Imagine esse raciocínio mais a fundo, mais fundo que uma cor ou sabor, mais fundo que os sons e os cheiros, mais fundo que matrix, mais fundo que a própria vida em si que pode não existir. Foi onde chegou George Berkeley, importante filósofo empírico. Fica uma poesia.

O que será da vida se ela pode vida não ser?
O que será de mim se não acredito no meu "ver"?
Como podem ser falsas as sensações do meu "cheirar"?
Será uma mentira o próprio sorriso? O triste chorar?

Seria o espírito a única verdade que constrói o mundo?
Seria todo o universo uma mentira lá no fundo?
São tantas dúvidas, incertezas sem nunca cessar
Não sei se nada existe, nem vocês que vão comentar

E mesmo que me digam, eu existo, estou aqui
Pode ser meu espírito pregando uma peça enquanto ri
Será que existe algo depois da morte mal-querida
Mas como pode haver morte se não existe a vida?

É loucura pensar que o mundo pode ser minha prisão
Mas é mais louco pensar que minha prisão é uma ilusão
E que a ilusão pode ser talvez tudo que exista
Com tantas incertezas prefiro ficar fora de vista...

Tuesday, November 13, 2007

Ainda?

Caramba, nem acredito que esse blog ainda existe... Bom, por coincidência eu parei bem na postagem 50 ;) Fala sério... será que eu ainda tenho saco para isso? Fica uma poesia...

O sol acizentado atravessou minha janela hoje
Cortou minha face para mostrar que ainda sinto
Tentei olhar no espelho e dizer que sou feliz
Mais uma vez consegui, portanto ainda minto

Sem as barreiras do tempo eu desapareço
Para correr atrás de tudo que já acreditei
Desta vez não irei embora no final
Desta vez vou ficar até os limites do que sei

Eu não vou dormir de novo e sonhar com o real
Não vou fechar meus olhos como da outra vez
Vou levantar a alma contra o corpo sem moral
E jogar-me livre ao futuro que ninguém fez