Friday, January 22, 2010

A verdade sobre um poeta

Vim hoje trazer-lhes a verdade nua e crua
Sobre como o ato criativo funciona
Sobre como exerce sua função, um poeta
Se é que posso me chamar assim

Quando chega a noite, depois de um dia corrido
E o calmo da cidade a descansar invade o seu quarto
E existe um papel e uma caneta
Um poeta passa então a trabalhar

Funciona a noite porque de dia ele não pára para pensar
A noite, quando tudo está calmo, ele sente a dor
E na dor reside seu fruto, sua alma, sua inspiração

Mente quem diz que a inspiração é uma pessoa ou um lugar
Mente quem diz que, ao ser solicitado, pode criar
A luz que brilha aqui dentro tem hora certa
E é indomada, e decide quando quer falar

Todos nós temos essa luz, e para o poeta só há uma diferença
O poeta fica acordado a noite, quando a luz se revela
Todos sentem essa dor, e possuem este raio de luz
Mas todos dormem a noite, e isso os faz esquecer a dor

E quando alguém lê alguma poesia e se sente tocado
Não é porque ela é bonita ou bem escrita
É simplesmente porque encontra na poesia
As palavras que a própria luz vem tentando dizer

E quando eu jogo álcool e fumaça de cigarro para dentro
Não me critiquem, só estou ferindo a luz para não deixá-la dormir
E quando eu pareço carente ou pego no pé
É só porque minha luz precisa de companhia

E é isso que ela quiz dizer hoje...

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